Meu humor



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, FRANCA, JARDIM SANTA EUGENIA, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, Esportes, Livros, cinema e vídeo
Outro -




Arquivos

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 Vinho
 fumodromolotado
 ACTbr
 Freja
 café sem fumaça
 viviane
 pedalero
 kare




Blog de sambura2006
 


RESOLUÇÃO DE ANO NOVO (322 dias)

 

 

Todo santo ano que passa a gente toma resoluções para o ano que vem. É uma tradição bobinha mas gostosa. Faz parte das festas de ano novo como os presentes de natal, o amigo oculto, as comemorações de final de ano e outras bobagens. Pois este ano eu não tenho resoluções de ano novo para tomar. Está tudo bem. Tudo maravilha, de vento em popa. Estou casado com a mulher que amo, não passo fome, tenho um teto para morar, três cachorros, amigos de montão, um carrinho para ir daqui pra lá, um violão, livros o suficiente, um blog (risos). Estou com preguiça, este ano não quero resolver nada.

 

Mas o verdadeiro motivo desta preguiça é que ano após ano, eu tomava a resolução de não fumar, e fumava. Trincava os dentes e me insultava de calça-frouxa, de bunda-mole, de mariquinhas e nada adiantava. Eu fumava. Eu fumava e me sentia o pior dos homens, um verme, um desgraçado que nem consegue manter a própria palavra, apesar de ser um assunto crucial em minha vida.

 

Mas isso acabou. Parei de fumar e fui capaz de manter a palavra, nunca mais nem olhei para um cigarro, a não ser para sentir pena de quem ainda fuma e não consegue parar. Portanto, esse post é para que eu e todos os BCT's nos congratulemos pela decisão mantida. Parabéns para mim. Parabéns para o Vinho, o Ferro, o Cláudio, a Freja, o Kare, o Pedalero, a Mônica e também aos novos lutadores, porque deixar a nicotina é guerra pura, e o inimigo somos nós mesmos, ou seja: o pior inimigo que poderíamos ter. É possível vencer. Trata-se de uma luta da alma contra o cérebro. Da inteligência contra o vício alienante. Da razão de viver contra o conforto do abandono. É possível vencer?é, certamente, mas não é fácil. Para consolo dos novos lutadores, vai aqui uma reflexão: se um borra-botas como eu conseguiu, por que você não conseguirá? Lembrem-se: não somos heróis, mas certamente não somos ratos. Somos gente. Nós podemos. Feliz ano novo a todos.

 

beto



Escrito por sambura2006 às 08h36
[] [envie esta mensagem
] []





278 dias

Não sou muito ligado a números, meu negócio está longe de exatas, mais para humanas. Como atualmente ando meio desiludido com humanos (eita espécie imbecil!), quero mais é tocar meu violão e o resto que se dane, com exceção de minha neguinha. Mas assim mesmo não pude deixar de notar que há 278 dias estou sem fumar. Não me transformei em anjo, asas não me cresceram nas costas. Não me tornei etéreo, nem mais leve, ao contrário, engordei alguns quilos que atualmente me esforço em transformar em músculos, mas não está fácil, a idade não ajuda.  Não me tornei mais inteligente, embora tenha sido uma decisão evidentemente sábia, esta de largar de fumar. Em que melhorei, afinal? Ora essa, para começo de conversa, melhorei a auto-estima, que atualmente está nas nuvens... Uai! Se eu fui capaz de largar de fumar, que é mais difícil que achar um cavalo com soluços (obrigado, Rosa), então posso muito mais! Melhorou o fôlego, respiro melhor. Melhorou a libido, minha neguinha que o diga... (risos) e melhorou o olfato, o nível de energia. Mas não há dúvidas que o melhor de tudo, é a satisfação pessoal. Saber que vencemos o vício, que podemos, que somos fortes o suficiente para abandonar definitivamente a droga mais viciante do planeta é algo que vale a pena. Vamos em frente, nem herói, nem rato, gente.



Escrito por sambura2006 às 20h57
[] [envie esta mensagem
] []





            Viver para a barriga.

 

Enquanto a recordação das férias vai se perdendo, fico esparramado na cadeira da cozinha conversando com minha neguinha, falando sobre a vida que levamos, todos nós. Final de férias é o tempo em que a gente sente o corpo descansado e os músculos relaxados, sem aquela tensão típica desta vida desgraçada em que estamos mergulhados até o pescoço, idiotas que somos. E sentados em nossas cadeiras, na cozinha, eu e minha neguinha discutimos sobre a vida, essa vida escrava, pois estamos todos amarrados ao tronco, levando chicotadas voluntárias. Queremos ser chicoteados.

 

            Nessas horas, tenho vontade de um  dia desses ter coragem suficiente de chutar a barraca, arrebentar a canga, mandar tudo à puta-que-o-pariu, tocar fogo nos mandados, sair pelo mundo em liberdade, fazendo o que quiser, tocando violão, escrevendo poesias, amando a neguinha até arrebentar de cansaço, cantar para a lua feito um lobisomem desvairado, tomar banho de chuva, nadar pelado nas lagoas, pescar... Nunca mais cumprir um mandado, fazer plantão, rapapear advogados inescrupulosos, cumprimentar respeitosamente quem quer que seja, ser eu, bruto, livre, gente! Nós vivemos amarrados com um cordão fino e dançamos conforme manda a música e quem escolhe a música são os patrões. Obedecemos. Vergonhosamente, miseravelmente, obedecemos. Não quero ser empregado, subserviente, nem ser patrão, autoritário e explorador.

 

            Trabalhamos para a barriga, todos nós, entendendo como barriga as necessidades absurdas que criamos, influenciados pelo “mercado”. Desse jeito, nos amarramos em dívidas que nunca acabam, nos escravizamos a bancos, financeiras, ganhando dinheiro aos montes e entregando tudo para banqueiros frios, estamos no inferno, na ilusão de que o céu é uma nova televisão de plasma ou o carro importado que cobiçamos, pois somos jumentos imbecis... O diabo das necessidades nos faz cortar as folhas como formigas, sem que as possamos levar para nosso próprio formigueiro... entregamos tudo aos “amigos” que generosamente nos emprestaram dinheiro a juros que seriam um insulto às nossas inteligências, se inteligência tivéssemos. Trabalhamos, pois não podemos cantar. Trabalhamos, pois não podemos sonhar. Trabalhamos, pois não podemos viver. Trabalhamos, pois não podemos ser nem felizes, nem infelizes, já que até a infelicidade nos é negada. Temos que sorrir para os clientes, os fregueses, as partes, os juízes e o diabo-a-quatro.

 

            Teremos algum dia coragem de deixar de ser escravos? Quem sabe? O engraçado disso tudo é que basta nos livrarmos dessas necessidades dementes que nos impuseram, voltando a viver de maneira simples e estaremos livres. Só Deus sabe (talvez) porque não fazemos exatamente isso. Enquanto isso, olho as pessoas em volta e vejo olhares vazios, gente com medo de gente, pressa, tensão, dores nos ombros, contraídos como se esperassem uma pancada. Povo submisso, do qual não se pode nem se deve esperar força para uma revolução. Como, se vivemos para a barriga?

 

            Fico tentado a fazer o que falo e por isso, paro de escrever. Até mais.

 

 

            Nem herói, nem gente. Rato.

 

 

Beto.



Escrito por sambura2006 às 20h54
[] [envie esta mensagem
] []





Uma cadeira no quintal.

 

Faltando apenas três dias para completar oito meses em fumar, ontem à tarde eu estava sentado no quintal nos fundos de minha casa. Ali existem algumas árvores plantadas por mim e pela minha neguinha. Um pezinho de acerola, um pé de limão galego, um boldo do mato (não o chileno), uma moitinha de murta, um mamoeiro caipira, uma amoreira, dois enormes pingos-de-ouro e uma árvore da qual desconheço o nome.

 

De repente, quedei pensativo, olhando para o nada e pensando em cigarros. Fumei durante mais de trinta anos e nos últimos quinze anos, cada tragada era tornada amara pela vontade de deixar o vício e por uma consciência frustrante de que isso é impossível. Fumantes perdem a batalha antes mesmo de disparado o primeiro tiro. Hoje, nas vésperas de inteirar 240 dias sem colocar um cigarro na boca, percebo que nada disso é verdade. É perfeitamente possível deixar de fumar. Não serei aqui hipócrita, afirmando que é fácil. Não é. Nem direi que basta querer. Não basta. Se bastasse, eu teria deixado o cigarro há muito mais tempo. Mas é factível.

 

Agora, oito meses (quase, na verdade) depois, continuo frustrado. Ocorre que não entendo porque não deixei esse vício miserável antes, meu Deus? A alegria de ter conseguido não é completa pelo simples fato de que eu nunca deveria ter fumado. Ana Maria sempre me dizia que eu conseguiria, que era possível, que eu era forte, que eu suportaria... anos a fio, tadinha. Levei ANOS para decidir. Hoje, sei que difícil mesmo, apenas a primeira semana. Se tenho vontade de fumar? Tenho, colega, tenho. Terei durante o resto de minha vida, penso eu. Mas a vontade que sinto hoje é nada, comparada à vontade que senti naquela primeira semana. Se passei por aquilo, suportarei qualquer coisa. Nunca mais fumo, nem de brincadeira.

 

Fiquei um tempão pensando nessas coisas. No final, levantei da cadeira, e fui beijar a minha neguinha. Em paz. Não sou herói, com certeza, mas atualmente, certamente não sou rato. Sou gente.

 

Um abraço a todos. beto



Escrito por sambura2006 às 00h25
[] [envie esta mensagem
] []





Um cuitelo do samburá.

 

Voltei de férias. Passei a maior parte do tempo em nosso ranchinho, nas barrancas do Rio Samburá, nos espraiados da Serra da Canastra, lugar bonito que só vendo. Deveria voltar alegre por ter descansado dessa vida louca que a gente leva na cidade. Qual o quê! Nem naqueles lugares a gente consegue escapar da estupidez humana.

 

Calma. Eu conto. Ocorre que o lugar é um paraíso. Um rio de serra, de águas límpidas, cheio de grotas e minas d'água cristalina. Mata ciliar bonita, muita orquídea e o cerrado em volta, morros onde até avião, se passar por cima, dá soco.

 

Pois o pessoal da cidade consegue conspurcar aquilo. Pessoas existem que vão para os ranchos, pescam de rede e de tarrafa, uma pesca predatória que acaba com os peixes, sem respeitar o tamanho permitido, matando o que não serve... Não se dão ao trabalho de cavar fossas sépticas, preferem jogar a sujeira diretamente no rio... Quando vão embora, não levam o lixo, simplesmente despejam na água, ou em qualquer lugar na mata ciliar... Botam fogo nos morros nos meses de seca, matam as pequenas árvores do cerrado e uma infinidade de pequenas vidas... O fogo deixa a terra nua e as erosões ocorrem de forma que jamais aconteceu por ali... Matam as minas de água cristalina porque derrubam a mata que as protege...

 

Isso tudo me desanima. Por que o ser humano há de ser tão irracionalmente estúpido? Estamos transformando o planeta de tal forma, que não tenham dúvidas: nós viveremos uma vida inteira para ver a destruição, mas nossos filhos talvez não vivam e nossos netos, se sobreviverem certamente sofrerão muito... Nossos bisnetos talvez nem tenham a oportunidade de nascer. Os filhos de nossos bisnetos não terão um planeta para viver. Tudo isso para que? Ganhar alguns trocados a mais? Ser um pouco mais influente? Guardar dinheiro no banco?

 

No Samburá, certa tarde, vi um beija-flor, um cuitelinho pequenino, uma mínima jóia da natureza se alimentando nas flores dos ingazeiros, que nesta época, abrem suas flores que parecem flocos de algodão, com um néctar doce em seu interior. O cuitelinho ia e vinha, beijando flores... Vendo aquilo, pensei comigo mesmo que os cuitelos estavam preparando a próxima geração de ingazeiros, pois são essas avezinhas que possibilitam o nascimento de frutos oriundos daquelas flores... Até uma vida pequenina como aquela tem seu lugar na natureza, serve para polinizar flores... Para que serve o homem, pelamordedeus? Que faz o homem, além de destruir? Sinceramente, quando vejo alguém colocando fogo no campo, pelo simples prazer de ver a destruição, quando vejo um mar de cana tomando conta da terra que antes produzia comida, quando vejo a fumaça que toma conta de tudo nesta época, quando vejo alguém jogar uma lata de cerveja ou uma garrafa de refrigerante pela janela de um carro... não acredito mais. Acho que a batalha já está perdida. Quem nos salvará? Bush, que se recusa a assinar o tratado de Kioto? Os dirigentes chineses, que mantém a economia do país mais populoso do mundo movida a CARVÃO? Os japoneses, que inventaram uma "cota para estudos" que lhes permite continuar a matar baleias impunemente?

 

Amanhã ou depois continuo. Beto.



Escrito por sambura2006 às 01h44
[] [envie esta mensagem
] []





200 dias, duas bicicletas

 

Fiz uma coisa bem radical. Comprei duas bicicletas. Uma para eu pedalar e a outra para a Ana. A minha é vermelha, coisa de índio, afinal, venho do Mato Grosso do Sul. A da Ana é laranja. Cheias de firulas, as bicicletas têm até freio a disco... Acontece que venho de aumentar o fôlego, pois casualmente, deixei de fumar há 200 dias, completados hoje. Daí a neguinha achou uma boa a gente comprar bicicletas para melhorar ainda mais a forma física, que se aprimora dia a dia. Dia desses conto o que aconteceu na estréia das magrelas e nas duas semanas subseqüentes.



Escrito por sambura2006 às 21h26
[] [envie esta mensagem
] []





O que é bom?

 

Nos vários comentários de BCTs e visitantes dos blogs, noto uma preocupação e uma angústia recorrente: como é difícil, angustiante, como é terrível deixar de fumar... como bate a fissura, como nos sentimos aliviados por termos passado mais um dia, uma semana, uma quinzena, um mês, semestre, ano! Contamos as horas, roendo as unhas de ansiedade em sermos reconhecidos como ex-fumantes. Saímos pelas ruas, de focinho no ar, farejando fumaças, espreitando fumantes ostensivos. Sofremos. Mas resistimos bravamente, heróis que somos, mártires de uma causa meio desconexa, estigmatizados, com o sangue da vontade de fumar correndo constantemente em nossas veias abertas da vontade, vontade de pitar... Deixamos de fumar, é verdade, no sacrifício, na raça, e estamos aqui, pagando pela suprema ousadia de deixar uma coisa tão, assim... tão, como direi, tão boa! Pronto! Eu disse! tão boa!

 

Tudo balela.

 

Uai. Por que diabos deixar de fumar é tão ruim assim? Estamos vendo tudo por uma ótica meio torta, que acaba nos fazendo ver como ruim o que é bom e bom o que é ruim. Falendo sério, que tragada compensa a sensação boa de respirar bem outra vez? Qual marca de cigarro pode nos fazer sentir o gosto da comida, cheirar uma flor, correr, cheirar bem, não precisar sair no meio de uma sessão de cinema para fumar, não ver as pessoas nos olhando atravessadas por estarmos empesteando o ambiente? Que nicotina compensa a pura sensação de poder ao dizermos que podemos mais que qualquer cigarro, qualquer indústria fumígera? Que vício pode ser melhor que mandar em nossas próprias vidas? O que há de ruim em acrescentar alguns anos em nosso tempo de vida? Em diminuir as chamces de contrair um câncer? Que há de tão ruim assim em diminuir pela metade, em apenas um ano, as chances de sofrer um infarto?

 

Gente, eu estou curtindo cada momento desse tempo em que estou deixando de fumar. Vem a fissura? Que venha! Dá vontade? Que dê! Quero mais é curtir cada coisa, rir sozinho a cada vez em que a fissura bate e eu venço. Em que a vontade vem e eu dou de ombros... rarará! EU POSSO MAIS! E NÃO VOU FUMAR!

 

É isso. Um abraço a todos. Nem herói nem rato. Gente.

 

beto



Escrito por sambura2006 às 20h22
[] [envie esta mensagem
] []





09 PESSOAS

 

A Monica do ACTbr me pergunta sobre nove pessoas minhas conhecidas aqui de Franca que estavam tentando parar de fumar. Será que elas conseguiram? Bom. Cara Monica, sinto dizer que nem todas conseguiram. Mas quatro delas estão firmes e parece que não tem mais volta. Duas fumam um cigarrinho um dia, dois no outro, param por três dias, fumam outro cigarrinho, param mais dois dias... aquele sofrimento que a gente já conhece. Três desistiram de vez. Pior. Uma dessas pessoas que desistiram, de apenas 20 anos, está fumando mais que antes de tentar parar. Assim, temos um placar mais ou menos assim: quatro vitórias, dois empates e três derrotas, uma delas especialmente dolorosa. Estamos vencendo, mas a margem é mínima.

 

De qualquer forma, atualmente há uma consciência de que o cigarro mata, e quem fuma quer largar (a grande maioria pelo menos), e quem não consegue largar sonha em conseguir. Largar de fumar está virando uma espécie de conquista de "status moral". Todos fumam meio escondido e todos os que conseguem largar anunciam aos quatro ventos e ficam sorrindo, recebendo satisfeitos as felicitações. Resumo da ópera: existe atualmente o sentimento social de que fumar é mau, largar de fumar é bom, nunca fumar é ótimo. Antes assim, melhor que antes, quando cigarro era sinônimo de glamour, e não fumar era estar "por fora".

 

Um abraço a todos.

 

beto.



Escrito por sambura2006 às 00h18
[] [envie esta mensagem
] []





satisfação e comoção (um post para o kare)

 

Hoje estou contente. Com perdão da má palavra (se é que essa palavra é má - palavras não são más nem boas, mas nossas intenções ao dize-las sim), mas hoje estou contente feito um fiodaputa que achou dinheiro na rua. Eu vi o passarinho verde. Eu sou o gato que pegou o canário. Estou contente pra dedéu. Estou pabo, como diria o Velho Lua. Danado de bão. Acontece que hoje completo 163 dias sem fumar. Mais de meio ano, cara! Aqui é aroeira!

 

Bão. Por que comemorar 163 dias sem fumar? Uai! nóis comemora cada dia, seu moço! Todos eles são importantes. Cada um deles. Fiquei comovido ao ver o Kare marcando dia após dia após dia, quarto dia, quinto dia, sexto dia... Fiquei com vontade de chorar ao lembrar a dureza das primeiras semanas, o primeiro mês... Depois ficou fácil. Kare, güenta firme, menino! Nós estamos aqui na retaguarda, torcendo firme por você, pode ter certeza!

 

Um abraço a todos. Nem herói nem rato. Gente.

 

beto



Escrito por sambura2006 às 01h48
[] [envie esta mensagem
] []





novos amigos

 

Adicionando hoje o endereço de dois novos amigos. Pedalero e karenin. Que sejam benvindos.



Escrito por sambura2006 às 01h32
[] [envie esta mensagem
] []





SETE VOLTAS, BATEIA, GURITA E BABILÔNIA

 

Trabalho com gente. Gente que quando entra em contato comigo, geralmente está numa pior. Afinal, sou oficial de justiça. Quase sempre não sou benvindo nas casas onde adentro. Não obstante, vamos levando a vida, com muito jeito. Com um jogo de cintura de fazer inveja à Ana Botafogo e ginga de fazer Garrincha dar duas voltas em cima das pernas tortas lá no céu dos futebolistas, acabo fazendo muito mais amigos que inimigos. Vamos nós.

 

Acontece que de uma forma ou de outra, acabo por ficar estressado. Afinal são já trinta anos desta vida. Antigamente, para rebater a ansiedade, eu fumava. Parei. Ponto final. Mas achei uma forma bem mais gostosa, saudável e recompensadora de dar um belo chute no traseiro da ansiedade. EU VOU PRA SERRA. Quem lê o que posto neste blog sabe que estou falando da Serra da Canastra. Pois então. Mas desta vez..

 

Desta vez eu fui para a Serra da Canastra, de moto (motos, a Ana em uma e eu em outra) e pelo caminho mais inusitado e bonito que me foi possível encontrar. Passamos por quatro serras antes de chegar à Canastra. Fomos até a Represa do Peixoto, aqui perto de Franca, 40 quilômetros. Daí, subimos a Serra das Sete Voltas, e em seguida até Delfinópolis. Daí, até o lugarejo conhecido como Olhos d'Água e em seguida para a Serra da Bateia, onde fica a Cachoeira da Bateinha, linda como ela só. Trata-se de uma cachoeira que vai caindo em degraus de cerca de cinco metros cada, por uma extensão de 500 metros aproximadamente. Coisa bonita que só os olhos da mulher amada olhando líquidos para a gente pode competir... em seguida, atravessamos a Serra da Gurita e da Babilônia inteiras, por cima do espigão. Vales profundos de um e de outro lado e lá em cima, solidão, boniteza e um ventinho forte e frio sacudindo aquele capim que só nasce lá em cima, fino e forte. A arnica selvagem cresce no meio dos pés de "canela de ema" uma plantinha peculiar de locais altos e pedregosos, aromatizando o ar. Dá vontade de gritar e pular lá de cima. No alto do espigão, ponto mais alto da Babilônia, a gente para as motos e olha pra tràs... o início e o final dos vales, um de cada lado, ao mesmo tempo, aos nossos pés... Indescritível. Beijar a mulher que a gente ama nesse lugar é uma coisa que funde corações, mentes e corpos. Bão demais!

 

Aqui entre nós... quem quer saber de fumar, no meio daquela beleza toda? 153 dias sem pitar, mano. Aqui é aroeira! Nem herói, nem rato. Gente que não fuma e sobe a serra...

 

um abraço a todos. beto.



Escrito por sambura2006 às 23h22
[] [envie esta mensagem
] []





0,41666666666666666 ano!

 

Notícias novas a gente sempre tem. Notícias velhas a gente sempre tem. Notícias, boatos, especulações, adivinhações e intrigas, a gente sempre tem, ouve e passa ou não pra frente. Mas boas notícias não é sempre que a gente tem. Pois eu tenho! Hoje, de repente (não mais que de repente, como diria o poetinha), este seu criado completa 0,416666666666666 ano ou 5 meses ou 150 dias ou 3.600 horas sem fumar. Minino, não é nada, não é nada, eu deixei de fumar 3.000 cigarros (também conhecidos, aqui em Franca, como chupeta do capeta - rima mas não tem melodia).

 

O fato é que estou muito satisfeito e queria comunicar a vocês. Gente, não morri, não sumi, não voltei a fumar. Aqui é aroeira! Nem herói, nem rato. Gente!



Escrito por sambura2006 às 23h07
[] [envie esta mensagem
] []





COMPLICAÇÕES

 

Vá me escutando... ontem mesmo eu estava falando sobre diferenças e sobre o sacrifício que fazemos para não decepcionar pessoas que na maioria das vezes não estão sequer um pouquinho preocupadas com o nosso bem estar. Cada um cuida de si mesmo. Acredite: dentro de você mesmo, você está sozinho, nasceu sozinho, vive sozinho e morrerá sozinho, aí dentro... portanto, preocupe-se em satisfazer em primeiro lugar a você mesmo, o resto é apenas um detalhe. Menor.

 

Acontece que a gente tem a estranha mania de complicar as coisas. Este ano, tive vontade de comprar um carro zero. Sabe como é que é, aquelas propagandas, você fazendo sucesso, a mulherada te olhando, a sensação boa de dirigir um carro zero, o cheiro de carro novo, o status, a potência, quem tem um carro desses fez por merecer, etc e cousa e a asa da maripousa... CONVERSA! CONVERSA FIADA! Meninos e meninas do meu Brasil infantil, pensem bem: para que serve um carro? Uai! um carro só serve para levar a gente de um ponto "A" para um ponto "B", e para mais nada! Caso eu compre um carro zero, vou gastar um absurdo, terei que pagar impostos ainda mais absurdos e o valor do seguro beira as raias da loucura... Vou é pegar esse dinheiro e comprar umas terrinhas lá na Serra da Canastra, de preferência um lugar onde se possa fazer uma casinha branca no pé da serra pra eu viver com meu amor... Onde haja água cantando e flores cheirando bem, onde o "corguinho" desça mumumumurmurando entre pedras coloridas, e haja amanhecendo e anoitecendo e seja tudo bonito, onde eu possa deitar no pé do fogão, saciado e aconchegado, eu e minha neguinha... Fala a verdade: é ou não é aproveitar melhor essa grana?

 

Vá me escutando... outro dia desses, liguei a televisão para ver algumas notícias, que pelamordedeus, não quero que o mundo se acabe e eu sem saber de nada... Pois noticiava-se uma tal de fashion (féchi um - qui será qui é isso, minha santa piriquita do zóio verde?) week (uíque, ou algo assim, parece que devi di sê uma bibida estrangeira)... Rapaz... se eu te contar tenho certeza de que você não vai acreditar. Apareceram umas moças magras feita a moléstia, que devem passar fome feito senegalês na sêca, com uma cara de nojo de nóis que nem te conto. Mas o pior de tudo é que elas vestiam umas roupas que se passarem na frente do hospital psico aqui de Franca, com certeza serão pegas a laço e internadas na ala das doentes mentais incuráveis... Pois então. Mostrei pra minha neguinha e ela me esclareceu que aquilo é a moda desse ano. Todas as mulheres terão que usar aquilo, ou pelo menos uns trapinhos inspirados naquelas roupas. Ante a minha expressão de incredulidade, a Aninha esclareceu que isso é a moda. Não livra ninguém, toda a mulherada tem que usar, sob pena de passar por alienada. Uai! Então a gente não pode usar a roupa que quiser? Pois parece que não. Deve ser a lei. Se não usar vai presa. Fala a verdade: tá ou não tá todo mundo louco? Ou isso, ou vocês hão de concordar que a gente complica a própria vida por causa de besteiras. Vê lá se vou usar um determinado tipo de roupa só porque um estilista suspeitíssimo acha que a "tendência" deste ano é assim ou assado. Vê lá.

 

Agora, sejam sinceros: quantos fumantes vocês acham que começaram a fumar só porque "todo mundo fuma", "para não ficar por fora", "porque a fulana ou o fulano fuma", "porque tá na moda", "porque a artista tal ou qual fuma", "porque eu quero fazer parte do mundo de Marlboro" e etc e tal. Quantos? Somos complicadores de nossa própria vida, você vá me escutando...

 

Sabe que mais? Amanhã eu continuo.

 

Beto. .........................................................   Um pedacinho verde claro, só para não ficar muito chato.



Escrito por sambura2006 às 01h17
[] [envie esta mensagem
] []





DIFERENÇAS

Sempre tive problemas com pessoas e com as coisas que as pessoas fazem, com coisas que os outros esperam de nós. Durante quase toda a minha vida, fui castigado de uma forma ou de outra por ser diferente. Afinal, eu fui um garoto que gostava de brincar sozinho, que ia pescar no Rio Amambaí, no meio do mato, completamente só. Meus brinquedos prediletos eram observar formigas, alimentar pássaros no quintal e sonhar. Quando adolescente, eu lia. Li tudo o que me caiu nas mãos e tudo o que pude emprestar, tomar ou roubar. Com doze anos de idade, li a bíblia (sagrada?) do gênese ao apocalipse, três vezes seguidas. Li enciclopédias, livros de aventuras, biografias, bang-bang de montão, e nem consigo falar sobre a quantidade de gibis que devorei. Em certa ocasião, cheguei a possuir 360 gibis, todos comprados com o suor do meu próprio rosto de moleque, pois comecei a trabalhar com oito anos de idade, vendendo bananas na rua. em uma cesta, em Paranavaí-PR. Eu era um garoto tão esquisito que levava um livro para ler durante a sessão de cinema, no intervalo. Eu não queria perder tempo. Tempo houve em que tornei obcecado por ficção científica. Fã alucinado de Isaac Asimov, capaz de me pegar no tapa com quem preferia o Bradbury, por exemplo. Li a "Fundação" até quase decorar aquilo (risos).

 

Mas o que eu queria dizer mesmo é que não temos que fazer o que todos fazem, e nem  mesmo que tentar estar à altura da expectativa de quem quer que seja. Passamos a nossa vida inteira preocupados com inutilidades, sofremos por causa de futilidades, nos preocupamos com coisas que nada valem, se examinadas de perto e com atenção. Por que diabos temos que ser aquilo que esperam de nós? Eu não quero mais nada disso. Quero mesmo é poder pegar meu violão e cantar em um dia qualquer da semana, sem sentir remorso nem culpa... Eu não sou escravo! Nem do trabalho, nem da sociedade, nem da tradição, nem das expectativas de parentes, sobrinho, filhos, vizinhos, chefes e o escambau... Como diria Elomar, cansei de ser boi manso, quero mais é arrombar a cerca, sair pelo campo sem fronteiras, ter espaço para viver.

 

É dessa maneira que estou, bem devagar, mas lentamente mesmo, reaprendendo a ver a vida. Quando penso nas inúmeras coisas que fiz, quando queria fazer outras, quando penso nas tantas vezes em que fiquei aborrecido para não aborrecer filhos, chefes, vizinhos, o diabo a quatro, fico com ódio de mim mesmo. Quantas vezes calei o que devia ser dito, quantas disse o que não queria dizer, quantas? Quantas horas trabalhei quando deveria estar escrevendo? Quantos dias sacrifiquei para pessoas que não merecem um minuto sequer, quando deveria estar pescando, ou olhando flores, ou preguiçando, nada mais que isso mesmo...? Quantas coisas comprei que não queria, comi que não gostava, usei que não devia, convivi que não amava, suportei que odiava, esperei que não podia... quantas? Tudo isso para que? Para não ofender seja lá quem for, para não aborrecer chatos de galocha, para não magoar filhos-de-uma-égua...

 

Sabem que mais? Amanhã eu continuo.

 

A propósito: completei hoje 105 dias sem fumar. Por que não comemorei nem escrevi nada quando completei 100 dias? Sei lá. Mas escrevo isso (105, 105, 105, 105) nesse azul alegre. É bom estar há 105 dias sem fumar. Espero chegar logo aos 138. Porque cento e trinta e oito? Também não sei. Mas será ainda melhor que 105, com certeza.

 

beto



Escrito por sambura2006 às 02h28
[] [envie esta mensagem
] []





POST PRA VI

miniaturezas

 

Amo as coisas miúdas da natureza, em geral despercebidas ante a loucura da vida desesperada que levamos. A gota de orvalho ao sol, brilhando qual diamante, mas mais pura, alva e simplesmente efêmera. A pequena flor amarela brotando entre as pedras do cerrado, força e beleza ao mesmo tempo, numa vida tão pequena... As libélulas de olhos azuis e asas transparentes, que pairam sobre as águas, guerreiras, ferozes, vorazes e belas como são as mulheres em geral. A abelha jataí, listrada de amarelo e negro, dócil e inofensiva em seu labor. volitando entre flores, fabricando mel em pequenas favos negros.

 

Amo as miúdas coisas da floresta, eterna festa de vida, tenaz, persistente e alegre, enroscada entre caules e cipós, oculta entre folhas e raízes. Um pequeno casulo de mariposa, estriado em dourado, brilhando como ouro velho e polido. O sol, o sol, o sol sobre uma folha de palmeira jovem, lançando suave luz verde no chão da mata. Pequenina orquídea independente e forte, que pendura uma flor branca sobre o vazio. As formigas ruivas da embaúba, tranqüilas, mas ferozes ao defender sua casa, fornecida pela árvore agradecida pela bênção da simbiose... As formigas cabeçudas em seu eterno desfile, corpo sobre corpo sobre corpo sobre corpo, marchando unidos em fila indiana, matemática e precisa, trabalhando com bandeiras verdes sobre as antenas.

 

Amo as pequenas coisas pela mata, desconhecidas, ignoradas na sua beleza rude e simples. A grota de pedra escondida pelo verde, com fio d'água de mina brotando da pedra, formando pequena lagoa de água límpida, onde nadam lambaris nervosos, açoites de prata faiscando entre projetos de sapos e rãs. Pirilampos pela noite, cobrindo os morros como móveis estrelas, amantes de luz intermitente-tente-tente e paixão constante-tante-tante, preparando uma nova geração de brilhos fugazes. Amo os amarelos, vermelhos, roxos e brancos, laranjas, marrons, ferrugens e lilases, das flores que ninguém vê. Os verdes das folhas, com todos os matizes da esperança, todas as formas da geometria, todas as texturas, todas as ternuras ao toque. As formas dos cipós, emaranhados em impossíveis nós, rugosos ou lisos, pendurados pelo espaço, subindo, pedaço a pedaço, na ânsia pela vida.

 

Amo as miúdas coisas do mato, as variadas formas da natureza, as explosões de belo que resta para quem sabe ver a beleza, onde a beleza está.

 

beto - originalmente escrito em abril de 2003, e de volta na lembrança pelo post da viviane, que também sabe ver a beleza. Ai, que saudade do meu ranchinho! Amanhã estarei completando 90 dias sem fumar. Nem herói, nem rato. Gente.



Escrito por sambura2006 às 12h46
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]  
 

Fumômetro :