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Blog de sambura2006
 


POST PRA VI

miniaturezas

 

Amo as coisas miúdas da natureza, em geral despercebidas ante a loucura da vida desesperada que levamos. A gota de orvalho ao sol, brilhando qual diamante, mas mais pura, alva e simplesmente efêmera. A pequena flor amarela brotando entre as pedras do cerrado, força e beleza ao mesmo tempo, numa vida tão pequena... As libélulas de olhos azuis e asas transparentes, que pairam sobre as águas, guerreiras, ferozes, vorazes e belas como são as mulheres em geral. A abelha jataí, listrada de amarelo e negro, dócil e inofensiva em seu labor. volitando entre flores, fabricando mel em pequenas favos negros.

 

Amo as miúdas coisas da floresta, eterna festa de vida, tenaz, persistente e alegre, enroscada entre caules e cipós, oculta entre folhas e raízes. Um pequeno casulo de mariposa, estriado em dourado, brilhando como ouro velho e polido. O sol, o sol, o sol sobre uma folha de palmeira jovem, lançando suave luz verde no chão da mata. Pequenina orquídea independente e forte, que pendura uma flor branca sobre o vazio. As formigas ruivas da embaúba, tranqüilas, mas ferozes ao defender sua casa, fornecida pela árvore agradecida pela bênção da simbiose... As formigas cabeçudas em seu eterno desfile, corpo sobre corpo sobre corpo sobre corpo, marchando unidos em fila indiana, matemática e precisa, trabalhando com bandeiras verdes sobre as antenas.

 

Amo as pequenas coisas pela mata, desconhecidas, ignoradas na sua beleza rude e simples. A grota de pedra escondida pelo verde, com fio d'água de mina brotando da pedra, formando pequena lagoa de água límpida, onde nadam lambaris nervosos, açoites de prata faiscando entre projetos de sapos e rãs. Pirilampos pela noite, cobrindo os morros como móveis estrelas, amantes de luz intermitente-tente-tente e paixão constante-tante-tante, preparando uma nova geração de brilhos fugazes. Amo os amarelos, vermelhos, roxos e brancos, laranjas, marrons, ferrugens e lilases, das flores que ninguém vê. Os verdes das folhas, com todos os matizes da esperança, todas as formas da geometria, todas as texturas, todas as ternuras ao toque. As formas dos cipós, emaranhados em impossíveis nós, rugosos ou lisos, pendurados pelo espaço, subindo, pedaço a pedaço, na ânsia pela vida.

 

Amo as miúdas coisas do mato, as variadas formas da natureza, as explosões de belo que resta para quem sabe ver a beleza, onde a beleza está.

 

beto - originalmente escrito em abril de 2003, e de volta na lembrança pelo post da viviane, que também sabe ver a beleza. Ai, que saudade do meu ranchinho! Amanhã estarei completando 90 dias sem fumar. Nem herói, nem rato. Gente.



Escrito por sambura2006 às 12h46
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