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Blog de sambura2006
 


COMPLICAÇÕES

 

Vá me escutando... ontem mesmo eu estava falando sobre diferenças e sobre o sacrifício que fazemos para não decepcionar pessoas que na maioria das vezes não estão sequer um pouquinho preocupadas com o nosso bem estar. Cada um cuida de si mesmo. Acredite: dentro de você mesmo, você está sozinho, nasceu sozinho, vive sozinho e morrerá sozinho, aí dentro... portanto, preocupe-se em satisfazer em primeiro lugar a você mesmo, o resto é apenas um detalhe. Menor.

 

Acontece que a gente tem a estranha mania de complicar as coisas. Este ano, tive vontade de comprar um carro zero. Sabe como é que é, aquelas propagandas, você fazendo sucesso, a mulherada te olhando, a sensação boa de dirigir um carro zero, o cheiro de carro novo, o status, a potência, quem tem um carro desses fez por merecer, etc e cousa e a asa da maripousa... CONVERSA! CONVERSA FIADA! Meninos e meninas do meu Brasil infantil, pensem bem: para que serve um carro? Uai! um carro só serve para levar a gente de um ponto "A" para um ponto "B", e para mais nada! Caso eu compre um carro zero, vou gastar um absurdo, terei que pagar impostos ainda mais absurdos e o valor do seguro beira as raias da loucura... Vou é pegar esse dinheiro e comprar umas terrinhas lá na Serra da Canastra, de preferência um lugar onde se possa fazer uma casinha branca no pé da serra pra eu viver com meu amor... Onde haja água cantando e flores cheirando bem, onde o "corguinho" desça mumumumurmurando entre pedras coloridas, e haja amanhecendo e anoitecendo e seja tudo bonito, onde eu possa deitar no pé do fogão, saciado e aconchegado, eu e minha neguinha... Fala a verdade: é ou não é aproveitar melhor essa grana?

 

Vá me escutando... outro dia desses, liguei a televisão para ver algumas notícias, que pelamordedeus, não quero que o mundo se acabe e eu sem saber de nada... Pois noticiava-se uma tal de fashion (féchi um - qui será qui é isso, minha santa piriquita do zóio verde?) week (uíque, ou algo assim, parece que devi di sê uma bibida estrangeira)... Rapaz... se eu te contar tenho certeza de que você não vai acreditar. Apareceram umas moças magras feita a moléstia, que devem passar fome feito senegalês na sêca, com uma cara de nojo de nóis que nem te conto. Mas o pior de tudo é que elas vestiam umas roupas que se passarem na frente do hospital psico aqui de Franca, com certeza serão pegas a laço e internadas na ala das doentes mentais incuráveis... Pois então. Mostrei pra minha neguinha e ela me esclareceu que aquilo é a moda desse ano. Todas as mulheres terão que usar aquilo, ou pelo menos uns trapinhos inspirados naquelas roupas. Ante a minha expressão de incredulidade, a Aninha esclareceu que isso é a moda. Não livra ninguém, toda a mulherada tem que usar, sob pena de passar por alienada. Uai! Então a gente não pode usar a roupa que quiser? Pois parece que não. Deve ser a lei. Se não usar vai presa. Fala a verdade: tá ou não tá todo mundo louco? Ou isso, ou vocês hão de concordar que a gente complica a própria vida por causa de besteiras. Vê lá se vou usar um determinado tipo de roupa só porque um estilista suspeitíssimo acha que a "tendência" deste ano é assim ou assado. Vê lá.

 

Agora, sejam sinceros: quantos fumantes vocês acham que começaram a fumar só porque "todo mundo fuma", "para não ficar por fora", "porque a fulana ou o fulano fuma", "porque tá na moda", "porque a artista tal ou qual fuma", "porque eu quero fazer parte do mundo de Marlboro" e etc e tal. Quantos? Somos complicadores de nossa própria vida, você vá me escutando...

 

Sabe que mais? Amanhã eu continuo.

 

Beto. .........................................................   Um pedacinho verde claro, só para não ficar muito chato.



Escrito por sambura2006 às 01h17
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DIFERENÇAS

Sempre tive problemas com pessoas e com as coisas que as pessoas fazem, com coisas que os outros esperam de nós. Durante quase toda a minha vida, fui castigado de uma forma ou de outra por ser diferente. Afinal, eu fui um garoto que gostava de brincar sozinho, que ia pescar no Rio Amambaí, no meio do mato, completamente só. Meus brinquedos prediletos eram observar formigas, alimentar pássaros no quintal e sonhar. Quando adolescente, eu lia. Li tudo o que me caiu nas mãos e tudo o que pude emprestar, tomar ou roubar. Com doze anos de idade, li a bíblia (sagrada?) do gênese ao apocalipse, três vezes seguidas. Li enciclopédias, livros de aventuras, biografias, bang-bang de montão, e nem consigo falar sobre a quantidade de gibis que devorei. Em certa ocasião, cheguei a possuir 360 gibis, todos comprados com o suor do meu próprio rosto de moleque, pois comecei a trabalhar com oito anos de idade, vendendo bananas na rua. em uma cesta, em Paranavaí-PR. Eu era um garoto tão esquisito que levava um livro para ler durante a sessão de cinema, no intervalo. Eu não queria perder tempo. Tempo houve em que tornei obcecado por ficção científica. Fã alucinado de Isaac Asimov, capaz de me pegar no tapa com quem preferia o Bradbury, por exemplo. Li a "Fundação" até quase decorar aquilo (risos).

 

Mas o que eu queria dizer mesmo é que não temos que fazer o que todos fazem, e nem  mesmo que tentar estar à altura da expectativa de quem quer que seja. Passamos a nossa vida inteira preocupados com inutilidades, sofremos por causa de futilidades, nos preocupamos com coisas que nada valem, se examinadas de perto e com atenção. Por que diabos temos que ser aquilo que esperam de nós? Eu não quero mais nada disso. Quero mesmo é poder pegar meu violão e cantar em um dia qualquer da semana, sem sentir remorso nem culpa... Eu não sou escravo! Nem do trabalho, nem da sociedade, nem da tradição, nem das expectativas de parentes, sobrinho, filhos, vizinhos, chefes e o escambau... Como diria Elomar, cansei de ser boi manso, quero mais é arrombar a cerca, sair pelo campo sem fronteiras, ter espaço para viver.

 

É dessa maneira que estou, bem devagar, mas lentamente mesmo, reaprendendo a ver a vida. Quando penso nas inúmeras coisas que fiz, quando queria fazer outras, quando penso nas tantas vezes em que fiquei aborrecido para não aborrecer filhos, chefes, vizinhos, o diabo a quatro, fico com ódio de mim mesmo. Quantas vezes calei o que devia ser dito, quantas disse o que não queria dizer, quantas? Quantas horas trabalhei quando deveria estar escrevendo? Quantos dias sacrifiquei para pessoas que não merecem um minuto sequer, quando deveria estar pescando, ou olhando flores, ou preguiçando, nada mais que isso mesmo...? Quantas coisas comprei que não queria, comi que não gostava, usei que não devia, convivi que não amava, suportei que odiava, esperei que não podia... quantas? Tudo isso para que? Para não ofender seja lá quem for, para não aborrecer chatos de galocha, para não magoar filhos-de-uma-égua...

 

Sabem que mais? Amanhã eu continuo.

 

A propósito: completei hoje 105 dias sem fumar. Por que não comemorei nem escrevi nada quando completei 100 dias? Sei lá. Mas escrevo isso (105, 105, 105, 105) nesse azul alegre. É bom estar há 105 dias sem fumar. Espero chegar logo aos 138. Porque cento e trinta e oito? Também não sei. Mas será ainda melhor que 105, com certeza.

 

beto



Escrito por sambura2006 às 02h28
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