SETE VOLTAS, BATEIA, GURITA E BABILÔNIA
Trabalho com gente. Gente que quando entra em contato comigo, geralmente está numa pior. Afinal, sou oficial de justiça. Quase sempre não sou benvindo nas casas onde adentro. Não obstante, vamos levando a vida, com muito jeito. Com um jogo de cintura de fazer inveja à Ana Botafogo e ginga de fazer Garrincha dar duas voltas em cima das pernas tortas lá no céu dos futebolistas, acabo fazendo muito mais amigos que inimigos. Vamos nós.
Acontece que de uma forma ou de outra, acabo por ficar estressado. Afinal são já trinta anos desta vida. Antigamente, para rebater a ansiedade, eu fumava. Parei. Ponto final. Mas achei uma forma bem mais gostosa, saudável e recompensadora de dar um belo chute no traseiro da ansiedade. EU VOU PRA SERRA. Quem lê o que posto neste blog sabe que estou falando da Serra da Canastra. Pois então. Mas desta vez..
Desta vez eu fui para a Serra da Canastra, de moto (motos, a Ana em uma e eu em outra) e pelo caminho mais inusitado e bonito que me foi possível encontrar. Passamos por quatro serras antes de chegar à Canastra. Fomos até a Represa do Peixoto, aqui perto de Franca, 40 quilômetros. Daí, subimos a Serra das Sete Voltas, e em seguida até Delfinópolis. Daí, até o lugarejo conhecido como Olhos d'Água e em seguida para a Serra da Bateia, onde fica a Cachoeira da Bateinha, linda como ela só. Trata-se de uma cachoeira que vai caindo em degraus de cerca de cinco metros cada, por uma extensão de 500 metros aproximadamente. Coisa bonita que só os olhos da mulher amada olhando líquidos para a gente pode competir... em seguida, atravessamos a Serra da Gurita e da Babilônia inteiras, por cima do espigão. Vales profundos de um e de outro lado e lá em cima, solidão, boniteza e um ventinho forte e frio sacudindo aquele capim que só nasce lá em cima, fino e forte. A arnica selvagem cresce no meio dos pés de "canela de ema" uma plantinha peculiar de locais altos e pedregosos, aromatizando o ar. Dá vontade de gritar e pular lá de cima. No alto do espigão, ponto mais alto da Babilônia, a gente para as motos e olha pra tràs... o início e o final dos vales, um de cada lado, ao mesmo tempo, aos nossos pés... Indescritível. Beijar a mulher que a gente ama nesse lugar é uma coisa que funde corações, mentes e corpos. Bão demais!
Aqui entre nós... quem quer saber de fumar, no meio daquela beleza toda? 153 dias sem pitar, mano. Aqui é aroeira! Nem herói, nem rato. Gente que não fuma e sobe a serra...
um abraço a todos. beto.
Escrito por sambura2006 às 23h22
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